A leitura abre portas para a escrita

Graças aos estudos realizados em várias áreas do conhecimento, entre as quais a Linguística, a Psicolinguística e a Psicologia Cognitiva, foi possível rever a concepção de leitura, que é vista, hoje, como uma ação produtora de sentido. Nessa perspectiva, leitura pressupõe interação. Assume-se, dessa forma, que o sentido não é algo dado ou que se encontra pronto no texto, mas é produzido pelo leitor, a partir de seus conhecimentos prévios e de sua ação sobre aquilo que ele pretende ler, ou seja, os textos escritos nos seus diversos gêneros.

Por sua vez, a escrita possui uma relação estreita com as práticas de leitura. Constituir-se autor de texto e constituir-se leitor são processos interligados. Um autor que adquire a habilidade de estruturar um texto pode usar dessa habilidade também no processo de recepção do texto. Do mesmo modo, ao ler, os sujeitos-leitores procurarão relacionar as estratégias usadas pelo autor no seu processo de produção textual.

Queremos dizer que, por meio da leitura, o estudante amplia o vocabulário e sua própria visão de mundo. Portanto, o leitor precisa compreender o que lê. Ler e contar histórias são formas também de desenvolver a criatividade, de viver momentos permeados de imaginação, suspense e aventura.

A leitura é um hábito que precisa ter início na família e ganhar força na escola. Os adultos devem plantar essa semente nas crianças e jovens, para que elas possam frutificar. O desenvolvimento do hábito da leitura é gradativo. O ato de ler vai muito além de pôr os olhos no livro; é transformador. É necessário que haja liberdade para a brincadeira com as palavras e imagens, que levem o leitor a recriar o que leu pela própria mente. Para gostar de ler, a criança precisa entrar em contato com histórias, ter sua curiosidade estimulada e presenciar bons exemplos. Assim, o adulto deve educar e cativar, ser espelho.

Na contemporaneidade, as ferramentas de acesso à leitura já não são as mesmas de outrora. Porém, nada é mais atual do que transformar pessoas em cidadãos críticos, com valores éticos, em crescimento contínuo. E na leitura, o passado e o futuro coexistem com o presente, favorecendo, assim, o entendimento do mundo.

Ler é fundamental para que, no contexto social, cada indivíduo se torne instrumento na construção da cidadania; ler deve ser, sobretudo, um ato prazeroso e por isso desde cedo as crianças precisam ‘’viver” as histórias. É nessa fase da vida que são formados os inventores, escritores e, acima de tudo, os pensadores. A leitura compõe o sujeito intelectualmente, de forma sadia, eficaz e plena.

Façamos nossa parte! Mãos à obra!

Tânia Nascimento
Coordenadora Pedagógica

Autores consultados:
GERALDI, J. W. O texto na sala de aula. Leitura e produção. Cascavel: ASSOESTE, 1985;
KLEIMAN, A. Oficina de Leitura: teoria e prática. Campinas – SP: Pontes, 1993.



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