ALIMENTAÇÃO INFANTIL: MITOS E VERDADES

Uma alimentação saudável é de suma importância para o desenvolvimento fisiológico, pois ajuda na manutenção da saúde e no bem-estar do indivíduo. Na infância, o valor da alimentação se torna muito maior, já que as crianças se encontram em fase de constante desenvolvimento e crescimento. O grande desafio dos pais, familiares e cuidadores é conduzir adequadamente o processo da introdução alimentar, no qual há sempre dúvidas sobre o tipo, a consistência e a forma dos alimentos que devem ou não ser oferecidos às crianças, a fim de suprir suas necessidades nutricionais. No sentido de contribuir com o tema, selecionamos algumas dúvidas comuns e nos dispomos a esclarecer. Que tal conferir?

Feijão preto tem mais ferro.

MITO

Embora a cor preta do grão seja relacionada ao ferro alimentar, isso não significa que o feijão seja a principal fonte desse mineral. O grão preto tem essa tonalidade por causa da antocianina, substância antioxidante que tem sido associada à prevenção do câncer e de males cardiovasculares. Porém, em comparação ao feijão preto, o feijão branco tem 30% a mais de ferro. Tanto nos tipos brancos, como nos pretos, essa leguminosa é rica em proteínas, carboidratos complexos, vitaminas do complexo B, ferro, cálcio e potássio, além de compostos bioativos e de fibra alimentar, que auxilia no funcionamento intestinal, reduzindo a absorção de colesterol e glicose.

O consumo de sal diminui a absorção de cálcio.

VERDADE

O uso excessivo de sal na alimentação interfere diretamente na absorção de cálcio, pois aumenta a excreção deste pela urina. A recomendação para introdução do sal é que seja a partir do primeiro ano de vida. Nessa etapa, é importante a ingestão correta de cálcio, uma vez que os ossos e os dentes estão sendo formados; assim, evitar os alimentos que interferem nesse mineral é essencial. O sódio está presente na maioria dos alimentos industrializados, como molhos prontos e produtos em conserva embutidos. Portanto, preferir alimentos minimamente processados e naturais é uma forma de evitar o consumo excessivo de sal.

Comer frutas sem casca é melhor para o bebê.

MITO

As cascas das frutas contêm fibras e nutrientes muito importantes, como é o caso da maçã, que contém a pectina, uma fibra muito importante. No entanto, ressaltamos o cuidado com as frutas e os vegetais convencionais, que normalmente são produzidos com agrotóxicos, deixando resíduos nas cascas. Assim, é necessário fazer a higienização correta antes de consumi-los e, sempre que possível,dar preferência a produtos orgânicos.

A consistência dos alimentos ajuda a desenvolver a musculatura infantil.

VERDADE

A mastigação estimula o desenvolvimento da face e dos ossos da cabeça. No início, quando a criança passar a consumir alimentos sólidos, deve-se apenas amassar com um garfo e picar bem os alimentos mais duros, como carnes. É o bastante.

É necessário que a criança coma tudo o que está no prato, mesmo  já se sentindo satisfeita; caso contrário, não ficará nutrida.

MITO

É importante prestar atenção aos sinais de fome e saciedade da criança, e conversar com ela durante a refeição. Esses sinais devem ser reconhecidos e respondidos de forma ativa e carinhosa. Deve-se estimular a criança a comer, mas sem forçá-la, nem mesmo quando ela estiver doente. Alimentar-se bem é muito mais do que engolir ou provar todos os tipos de alimentos, pois faz parte de um contexto que envolve também prazer e desejo. Na primeira infância, comer normalmente significa olhar, tocar, provar, cheirar, colocar e tirar da boca, saborear, mastigar e engolir. Tudo isso faz parte do processo do aprendizado alimentar.

Aline Margarida

Nutricionista

Educação nutricional – Colégio Saber Viver

Fonte:

Padovani, Aline. Tá na hora do papá.  São Paulo: Coleção Conto com Você, 2019.

Brasil. Ministério da saúde. Secretaria de Atenção Primária à saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde; 2019.

NEPA – NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM ALIMENTAÇÃO. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO). 4ª ed. Campinas: NEPA – UNICAMP, 2011. 62 p. 



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