Educar para a autonomia

Quando temos filhos, estamos constantemente pensando no bem-estar deles. Pensamos em seu futuro, tanto no âmbito profissional quanto pessoal, se serão felizes ou não, e como podemos viabilizar essas conquistas. Para isso, fazemos escolhas que atingem direta ou indiretamente a formação deles – escolhemos a escola, a forma como serão educados, suas atribuições, etc. Essas escolhas não são fáceis e, muitas vezes, causam-nos angústia (será que estamos fazendo certo? até que ponto podemos ceder?). Enfim, diante de tantas adversidades existentes na sociedade, e com tantas intercorrências, temos buscado, na escola e na família, um modo de proteger os filhos das “ameaças” deste mundo. E vamos tentando criar um universo perfeito, onde nada ou muito pouco possa atingir aqueles que temos como nosso bem mais precioso. Em razão disso, muitas vezes satisfazemos todas as suas vontades, preenchemos seus quartos com brinquedos, oferecemos nossos serviços a fim de privá-los do menor esforço e, sem que percebamos, roubamo-lhes a oportunidade de conquistarem algo muito valioso: a autonomia.

Frequentemente, nas conversas e orientações dadas aos pais, percebemos muitos deles julgando (ou acreditando) que os filhos são incapazes de realizar pequenas tarefas diárias com responsabilidade, tais como: organizar seu próprio material escolar, arrumar suas camas, guardar os brinquedos, tomar banho, alimentar-se sozinho, realizar as lições de casa, resolver pequenos conflitos com os colegas, etc. Ao anteciparmos suas vontades e seus problemas, impedimos os filhos de lidar com a falta ou a frustação, sentimentos importantes e estruturantes da personalidade humana – até porque, se não os ajudarmos nesse sentido, o mundo o fará – e os impedimos de desenvolver sua iniciativa e capacidade de lutar por aquilo que almejam.

Criamos, desse modo, “pequenos reis e rainhas” que, fazendo jus a esse lugar de destaque, sabem mandar e legitimar suas vontades, mas são incapazes de tomar decisões e executar pequenas atividades de maneira autônoma e com segurança. Por conseguinte, as crianças se tornam meras espectadoras da vida, aguardando que, diante de qualquer situação, apareçam, num toque de mágica, seus pais e/ou professores para resolverem seus problemas.

As crianças aprendem a ser autônomas por meio de pequenas atividades diárias que desenvolvem em casa, na escola e nos diversos espaços sociais de seu entorno. Elas desejam crescer e querem demonstrar que já são grandes a todo momento. Sendo assim, tanto pais, quanto educadores, devem atribuir tarefas que ajudem os pequenos a demonstrar suas habilidades e o valor do seu esforço. Portanto: procurar, recolher, guardar objetos e brinquedos; tirar, desatar, amarrar tênis e roupas; tomar banho; comer sozinho ou colocar a mesa são ações que os ajudarão a se situar no espaço em que vivem e a se sentirem participantes da sua própria família e de outros grupos sociais.

Deve-se dar aos filhos oportunidades de experimentar, de errar ou acertar, e tudo isso demanda um tempo de acordo com a idade e a capacidade de aprendizado de cada um. Educar para a autonomia não quer dizer deixar a criança tomar decisões, muitas vezes sem ter maturidade para isso. Significa estar atento a essas capacidades e ao desenvolvimento deles. Ou seja: quando a criança sinalizar, diante de uma tarefa, “eu quero fazer sozinho, pois já sou grande ou porque eu sei”, escute-a e incentive-a a fazê-la, orientando-a. Não se esqueça de que uma maior autonomia favorece a autoestima, e que esse caminho conduz ao crescimento saudável de seu filho.

 

(Regina Santos, Orientadora Pedagógica do Colégio Saber Viver)



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