Por que toda pergunta pede uma resposta?

Como pais, muitas vezes somos surpreendidos por uma avalanche de perguntas de nossos filhos. Para algumas perguntas, até temos as respostas, já outras não sabemos bem como responder. Dessa forma, ora deixamos pra depois, ora lançamos mão de um simples “porque sim” ou “porque não”.

Isso acontece principalmente quando tratamos de assuntos mais delicados, ou de qualquer outro tema que nos pareça precoce. E concordamos que, muitas vezes, é precoce mesmo. Porém, se a indagação foi feita, não adianta fingir que a criança não perguntou.

Quando um questionamento surge no pensamento infantil e o desejo de saber se transforma em linguagem, a criança pergunta esperando, de fato, uma resposta. Cientes disso, podemos refletir juntos: quem seria a pessoa indicada para responder a seu filho, senão você mesmo?

Quando você responde, inicia com seu filho uma conexão de confiança que será reforçada positivamente ao longo dessa relação. A criança reconhecerá que os pais são uma fonte de acesso ao que ele deseja saber.

É importante lembrar que as crianças estão atentas a tudo, até ao que não gostaríamos. E filtrar todos os conteúdos que chegam até elas é impossível. Muitas vezes, não fazemos ideia de como surgiu tal curiosidade, onde ouviu tal assunto… Crianças em pleno desenvolvimento são naturalmente curiosas por saber todas as coisas que elas não entendem. Portanto, perguntam e buscam uma resposta.

Caso você recue ou dê uma desculpa, aquela dúvida não vai se acabar ali. A criança vai, possivelmente, buscar a resposta com outra pessoa ou meio a que ela tenha acesso, e isso nem sempre é seguro. Além disso, há a possibilidade de se estar bloqueando o caminho da confiança já estabelecido na relação familiar.

Embora existam várias fontes acessíveis e capazes de responder a uma pergunta, nós, educadores e especialistas, continuamos acreditando que os pais são as pessoas mais indicadas para responder e para escolher a maneira mais segura e adequada, pois conhecem seus filhos profundamente. Além de todos os benefícios que reforçam essa relação, as perguntas nos dão pistas de possíveis problemas ou questionamentos que porventura os filhos possam estar enfrentando.

A jornada de educar percorre, muitas vezes, caminhos repletos de insegurança. Em paralelo, pais e mães têm o constante desejo de fazer o melhor. Enquanto isso, desafios e imprevistos se fazem presentes até mesmo numa simples pergunta.

Espero que a questão proposta no título, transformada em reflexão, tenha sido respondida e ajude-os a responder às próximas que virão!

Brígida Mendonça de Brito

Psicóloga do Saber Viver



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