PROCESSOS DE APRENDIZAGEM: É PRECISO SABER RESSIGNIFICAR

Pensar em crianças geralmente nos remete a movimentos, barulhos, sorrisos, conflitos e choros – sentimentos que fazem parte do dia a dia e que são edificantes do desenvolvimento humano.

Sob o olhar pós-moderno, nos dias de hoje, concebe-se a criança como um ser capaz, cheio de potencialidade, participativo e construtor de seus conhecimentos. Mais que um recipiente vazio à espera de ser preenchido,  a criança participa ativamente no mundo desde o início de sua vida; esse menino ou menina nascem equipados para aprender e não pedem nem necessitam de permissão dos adultos para começar a fazê-lo,  conforme  estudos de Dahlberg, Moss & Pence (2003).

Com as novas demandas surgidas no cenário desta Pandemia, as famílias têm se tornado  grandes parceiras  da escola, colaborando nos cuidados e estímulos necessários ao crescimento e desenvolvimento da criança, focando, sobretudo, nos aspectos afetivo, social e cognitivo. 

Todos nós precisamos saber que para aprender é preciso, antes de tudo, haver motivação,  palavra cujo significado é, basicamente,  tudo aquilo que nos motiva à ação – no nosso caso, a ação de aprender. Assim, motivar é um aspecto primordial do ensino-aprendizagem não só de crianças, mas de todos que se encontram nesse processo. 

Agora, com os pequenos em casa, confinados, veio a necessidade de ressignificar a rotina familiar para que eles não deixassem de “aprender”.  A esse respeito, muito tenho ouvido falar dos estímulos propostos, e  estes muitas vezes são direcionados por ações mecânicas que, na maioria das vezes, fazem pouco (ou nenhum) sentido para as crianças, podendo, assim, não gerar aprendizagens significativas ou os resultados esperados.

Cabe aos profissionais da educação a intencionalidade da ação pedagógica, e isso deve ficar claro para todos nós. Portanto, parabenizo as famílias que confiam e acreditam que a escola é, e sempre será, um espaço colaborativo de aprendizagens, e que nela está toda a fundamentação científica para orientar a sociedade da melhor maneira possível.   

Segundo a BNCC*, as crianças aprendem por meio de interações e  brincadeiras –  eixos estruturantes da Educação Infantil -, sendo a elas garantidos os direitos de conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se. Neste contexto, é importante destacar as experiências, uma vez que estas estão relacionadas às vivências das quais  as crianças participam de forma ativa e que as marcam, pois envolvem  processos de construção de sentido. 

Os hábitos que queremos desenvolver nas crianças não nascem de outra fonte que não a das experiências e aprendizagens compartilhadas com seus pares, junto a um adulto responsável – geralmente o par mais elevado na interação – para criar ambientes sociais adequados, contagiando de emoções, sentimentos e ações que promoverão o desenvolvimento adequado. 

Nesta época tão singular, se pudesse deixar um conselho para as famílias, eu diria que busquem construir memórias com as crianças, sobretudo as afetivas, pois, como nos ensina Saint-Exupéry, no seu memorável livro O Pequeno Príncipe, “só se  vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” 

Josiane Valença

Professora da Educação Infantil

*BNCC – Base Nacional Comum Curricular  é o documento que regulamenta quais são as aprendizagens  essenciais a serem trabalhadas nas escolas brasileiras  públicas e particulares de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, para garantir o direito à aprendizagem e o desenvolvimento pleno de todos os estudantes. (Brasil, MEC, 2017/2018)



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